Young Living: custou mais chegou

Outro gigante do marketing de rede de óleos essenciais chega ao Brasil

Por Arnaldo V. Carvalho

Outro dia comentava das gigantes de Aromaterapia que resolveram chegar no Brasil. Cada vez mais se fala de óleos essenciais, no mundo todo, e essas empresas não param de lucrar.

A Young Living tem óleos extraordinários, e muitos e muitos produtos com óleos essenciais. Quando aqui no Brasil (e em muitos países) muita gente tinha medo do consumo interno de óleos (a maioria não sabia que os óleos essenciais são usados há décadas como flavorizantes em uma série de alimentos), a Young Living já vendia de preparado para shake funcional a barrinha de cereais com nossos amados ólinhos.

Então, agora antes que seu concorrente DoTerra tome conta de vez do mercado nacional, parece que eles resolveram entrar para garantir uma fatia do mercado brasileiro:

https://www.istoedinheiro.com.br/o-exercito-de-6-milhoes-de-vendedores/

Terão trabalho. Primeiro porque temos boas produções nacionais, com preços competitivos. Segundo porque o sistema de pirâmide deles no final acaba ficando restrito a um mercado consumidor de nicho, como aconteceu com Amway, Herbalife, etc. Talvez eles só queiram isso mesmo, afinal.

Óleo essencial no Brasil não pode ser popular, não pode ser barato, não pode ser para pobre – O que é um absurdo, pois não há motivo para a prática dos preços que é feita hoje.

Até aí, nada. São todas iguais, e a Young Living será só mais uma.

E dentro do que é, tem muitas qualidades. Produto bom, bom suporte de informação a consumidores e seus consultores/vendedores. Se for como nos EUA. Tive a oportunidade de participar de alguns seminários da marca por lá nos idos de 2010. São realmente bons, embora fique claro que o foco é que os participantes não consigam filtrar onde começam e terminam o marketing e a informação concreta e de qualidade. Faz parte. Mas é uma pena.

De todo modo, desejo vida longa a empresa, que já enfrentou muita polêmica lá nos EUA, quando os óleos essenciais estavam sendo atacados como perigosos, quando chegou-se a aventar que deveria haver controle restrito e/ou médico sobre seu uso, etc. Considero seu idealizador, aliás, um grande ativista da qualidade de vida através do retorno e respeito à natureza. Que venham bem.

* Arnaldo V. Carvalho, terapeuta e educador, estuda e dá cursos sobre o uso dos óleos essenciais há mais de vinte anos.

Produtoras de óleos essenciais aos poucos vão se aglutinando por multinacionais.

Albert Vieille é uma tradicional fabricante de óleos essenciais e ingredientes naturais específicos usados em perfumes e produtos de aromaterapia. Com sede localizada nas proximidades de Grasse, França, a empresa que também conta com uma fábrica na Espanha acaba de ser adquirida pela Suíça Givaudan, gigante que aos poucos mostra-se faminta e talvez disposta a proteger-se de outras megaempresas que vêm se consolidando no mercado.

A tendência pode no futuro gerar um achatamento brutal dos pequenos negócios familiares de óleos essenciais, mas por outro lado, mostrar caminhos globais que certamente poderão ser seguidos por empresas do setor no Brasil. (Arnaldo)

Workshop ensina a destilar óleos essenciais e sua aplicação em cosméticos naturais

Em Portugal, precisamente na bela Serra da Estrela, haverá um workshop especial, com Paula Mendes, produtora de plantas aromáticas e medicinais.

No CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela no próximo dia 27 de abril.

Informações: http://www.cise.pt/pt/index.php/atividades/cursos-e-saidas-tematicas/workshop-oleos-cosmetica

Associação Portuguesa de Aromaterapia cria projeto de atendimento gratuito no país

Os portugueses do norte português estão sendo beneficiados com Aromaterapia associada a outros tratamentos. Os relatos são excelentes, e sem dúvida está de parabéns a APA – Associação Portuguesa de Aromaterapia – pela iniciativa.

Vejam em:
https://semanariov.pt/2019/04/08/hospital-do-sorriso-em-soutelo-sinto-me-muito-melhor-isto-e-fabuloso/

Óleos essenciais para nos enganar

Gasin

O site comercial Hipersuper, de Portugal, anuncia em tom de comemoração as novas embalagens da empresa “Gasin”, que basicamente contém óleos essenciais para dar sensação de frescor a alimentos congelados e outros.

É o típico caso de uso do óleo essencial “para o mal”, pois engana o nariz e induz a pessoa acreditar no que não é. Parem de nos enganar indústria só interessada em lucro!

A matéria foi publicada aqui: http://www.hipersuper.pt/2019/01/23/gasin-lanca-aroma-map-embalagem-produtos/


Óleo essencial de Alecrim-pimenta substitui fungicidas “do mal” e estica a vida útil do morango!

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Em matéria publicada na revista eletrônica portuguesa “Vida Rural” (aqui), mostra-se que o óleo essencial da verbenácea conhecida como Alecrim-pimenta já está sendo usado na pós-colheita do morango, evitando que ele mofe. Segundo a matéria, o tempo de comercialização do produto estica de uma semana para 18 dias e dispensa o uso de químicos que não nos fazem bem.

Queremos isso aqui no Brasil!

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Aromaterapia chega ao bloco cirurgico de hospital

HOJE: Aromaterapia na Oncologia em conversa com especialistas pelo Youtube

Aromaterapia e Oncologia – Vamos conversar?

Quinta, dia 28 de janeiro de 2019, as 20:30.

Via Internet (Youtube ao Vivo – Canal Câncer sem Mitos)

Cristina Paixão e o terapeuta Arnaldo V. Carvalho conversam sobre aromaterapia e óleos essenciais durante o tratamento do câncer e também prevenção. Que benefícios você pode obter com eles? Pode ser usado durante a quimioterapia? Há algum impedimento? Há efeitos colaterais?

O terapeuta Arnaldo V. Carvalho, conta com vinte anos de experiência clínica utilizando óleos essenciais e o sentido olfativo em terapia.

Mais sobre o profissional:

https://arnaldovcarvalho.wordpress.com/eu-terapeuta/
http://www.aromatologia.com.br/

Cristina Paixão é psicóloga, com especialização em psico-oncologia. Fundadora do site Câncer sem Mitos (http://www.cancersemitos.com.br) e do canal no YouTube (Cancer sem Mitos).

Link para o encontro virtual:
http://youtu.be/WBranFPSoss

http://youtu.be/WBranFPSoss

Premissas pessoais na prática da Aromaterapia

Premissas pessoais na prática da Aromaterapia

Por Arnaldo V. Carvalho

Minha aromaterapia, custei a perceber, começou já diferente de muitas outras, porque ela perpassava por uma formação intelectual altamente envolvida com a questão ecológica, ambiental e social, desenvolvida no contato com a natureza e incentivo à autonomia proporcionada pelo escotismo, e se desenvolveu praticamente na mesma época de meu processo de me tornar um naturopata.

Trata-se, pois, da aplicação dos estudos aromatológicos sob o ponto de vista da Natureza. As bases de uma “Aromaterapia Naturopática”. Essa forma de enxergar a utilização do olfato em terapia, por um lado, e dos componentes aromáticos da matéria viva e seus princípios ativos, de outro, tem premissas simples e diretas: precisa ser acessível, real, ecológica, respeitosa e segura.

  • Precisa ser a mais acessível possível

Uma terapia acessível significa que trabalharemos, preferencialmente, com o que está à disposição da pessoa a ser tratada. Óleos e outros produtos terapêuticos caros ou dificílimos de encontrar não estão em nosso escopo, a não ser em raros casos. Para gerar acesso, a Aromaterapia também deve reconsiderar a utilização de plantas vivas, o cultivo terapêutico pelo cliente, e uma utilização mais frequente dos hidrolatos.

  • Precisa ser real (fora do efeito placebo que não é mal, mas foge de nosso interesse)

O efeito placebo é amplamente estudado e funciona de forma bastante significativa. Isso faz com que, às vezes, o remédio errado pareça dar certo, quando é apenas… Sugestão. Nem acho mal que um aroma agradável faça bem pelo efeito placebo. Mas sem dúvidas, o que queremos aqui é utilizar o poder de interação aroma-animal que está por trás dos efeitos terapêuticos de óleos essenciais e demais materiais e estratégias de trabalho com aromaterapia. É preciso coragem para se admitir que, de um lado, o tratamento é mais poderoso que uma simples “terapia de cheirinhos” (placebo), e de outro mais limitada do que apregoam os fanáticos da aromaterapia (há vários, com muitas promessas de resultado que beiram o milagre).

Aromaterapia real envolve, inclusive, uma decodificação acertada dos estudos científicos, tão fartamente disponíveis na Internet. Infelizmente, são quase sempre mal compreendidos pelos leigos. Um exemplo: a constatação experimental de que o ácido láurico (principal ativo do óleo de coco) é um ambiente hostil ao vírus HIV segundo experiência in vitro não deve encher um portador do mesmo vírus de esperanças para além de que há muito o que se estudar e fazer até que se ache (se é que vão achar) alguma viabilidade clínica para essa informação que surgiu do lado de fora do corpo.

  • Precisa ser respeitosa (com o meio ambiente, os animais e as pessoas);

Clientes e terapeutas quase sempre se esquecem do custo de produção do óleo. Não estou me referindo apenas às cifras: me refiro ao custo ambiental. Aromaterapeutas adoram dizer: “é preciso 1-3 toneladas de pétalas para se obter apenas um litro de óleo de rosas!” e coisas parecidas. A conta justifica o preço alto – e também uma suposta “eficiência pela concentração”. Eles não parecem preocupados com a quantidade de solo e recursos utilizados para esse produção, do ponto de vista ecológico. Não estão preocupados com o impacto ambiental que qualquer cultivo em escala produz. Em geral, o consumidor de óleo essencial só pensa no benefício que a planta pode fazer por ele. Nunca pensa no benefício que ele precisa retornar à natureza.

Mas isso não ocorre somente na hora da compra. Também se refere aos modos de uso. O quanto se perde de material em um difusor que aromatizará um ambiente de, digamos, 15m2, quando sua utilização real se dá em 1,5m2 (uma pessoa acamada por exemplo)?

E em relação às doses e utilizações acima do necessário? Se o efeito se dá com duas gotas, porque tomar 3, “só porque é inofensivo”? Se o resultado por inalação acontece, porque eu retiraria gotas de um recipiente inutilmente?

Finalmente, quando teremos empresas apoiando comércio justo, monitorando produções com mão de obra semiescrava, quando teremos o consumidor cobrando informação acerca disso e valorizando os pequenos produtores familiares?

Decisões que dizem respeito à consciência ecológica precisam ser tomadas. É urgente. NÃO À AROMATERAPIA PREDATÓRIA E EGOÍSTA!

  • Precisa ser segura (para quem orienta, produz, se trata, etc.);

Do manejo agrícola com venenos, passando pela qualidade dos destiladores utilizados, chegando a questão das dosagens e modos de uso em aromaterapia, é necessário que a aromaterapia seja segura. Para isso, é preciso consciência na orientação e no uso.

  • Precisa ser compreendida em profundidade por seus profissionais, o que implica em:
    • Relativismo: O que serve para uns nem sempre serve para outros, não há, na natureza, remédio 100% “genérico”. Isso seria “alopatia verde”, baseada em substância.
    • Conhecimento de fisiologia: fundamental para se compreender os mecanismos de ação e reação do corpo, de forma local e sistêmica, incluindo as implicações somatopsiquicas, e neurofísicas.
    • Conhecimento de farmaco e toxocologia (convencional e/ou etno farmacologia): Compreender minimamente a complexidade química envolvida no que será preconizado, os possíveis efeitos no organismo, etc. é item de segurança e facilita a seleção do produto mais seguro, dose, etc. a ser utilizado.
    • Utilização combinada: Aromaterapia muitas vezes é uma parte de um tratamento mais extenso e utiliza outros recursos. Conhecer as melhores combinações para gerar estratégias acertadas é fundamental.
    • Ir além da matéria: Estamos lidando com um campo onde conhecer o ponto de vista químico e físico pode e talvez deva se combinar ao ponto de vista “do invisível”: estamos falando dos aspectos energéticos que ainda estão para ser melhor compreendidos, mas que já são estudados por muitas medicinas tradicionais, e referenciados em livros de etnobotânica, etnofarmacologia.
    • Experiência clínica, não apenas ter ouvido alguém dizer ou lido em um livro. Infelizmente, é aqui que a maioria das pessoas tropeça. Elas afirmam que o “óleo X” é bom para “z” baseado no que leram em um livro ou em um site. E os livros, por sua vez, reproduzem um discurso que não leva em conta contexto, o histórico da pessoa que tratada, etc. O problema não é exatamente não terem a experiência, mas não terem o cabedal necessário para uma leitura crítica do que estudaram. Se basear cegamente em informação que quase sempre está recheada de problemas (do determinismo “vai dar certo” ao comprometimento da fonte de informação com um grupo ou indústria). Faz diferença ter experienciado por longo tempo o que cursos, pessoas e livros dizem, para aos poucos se poder avaliar o que realmente funciona, quando, etc.

Essa é a terapia que preconizo. Faz parte de um todo maior, relacionado à Naturologia que parte do princípio da Vida como Relação. Nessa terapêutica, compreendemos que é preciso encontrar a relação do indivíduo com ele mesmo, com o Outro e com a natureza. Relações saudáveis, indivíduo saudável.

Óleos essenciais e o Agrobusiness

Por Arnaldo V. Carvalho

No ano 2000, a Universidade Federal Fluminense promoveu o I Simpósio de Agropecuária Ecológica e Saúde Humana, o qual participei e tomei contato com diversas linhas de pesquisa que procuravam harmonizar produtividade (leia lucratividade) com qualidade de vida.

No que se refere aos rebanhos bovinos brasileiros, houve alguns trabalhos demonstrando às excelentes alternativas aos antibióticos e piretróides, especialmente no campo da homeopatia. Mas já se fala do uso de óleos essenciais.

Passados quase vinte anos, a indústria tecnológica absorveu completamente o conceito, e aquilo que ainda não é feito por conta da força dos grandes laboratórios farmacêuticos já é oferecido ao gado do agrobusiness. Óleos essenciais, “aromaterapia” para que se dispense o uso de antibióticos convencionais e seus efeitos negativos.

Afirmada como poder, a Aromaterapia passa por uma nova fase, onde seus pesquisadores, técnicos, terapeutas, e usuários, precisam começar a tomar decisões mais conscientes: que campos de cultivo queremos? A quem e ao quê deve se destinar a produção dos óleos essenciais? Qual deve ser o investimento e consumo dos aromáticos autóctones no Brasil?

Leiam:

https://www.diariodoscampos.com.br/noticia/suplementos-nutricionais-de-alta-tecnologia-sao-destaques-da-agroleite-2018

Infelizmente, o Brasil parece mais preocupado em seguir como curral moderno, quando o que talvez precisaríamos era um ambiente preservado e investimento em tecnologia de saúde humana – em todos os sentidos.

A aromaterapia séria precisa fazer parte disso.