Monthly Archives: Junho 2004

Em 2002 os Açores já se preocupava com melhor aproveitamento das plantas nativas. E o Brasil?

Açores não aproveitam bem as plantas endémicas
Ambiente »29:08:02

Os Açores possuem plantas endémicas com alto valor comercial que estão na rota das atenções de investigadores nacionais e estrangeiros. Isto mesmo vai ser tratado num simpósio internacional em Lisboa, de 4 a 7 de Setembro.

Ana Cristina Figueiredo, investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em biotecnologia, realça o valor das plantas endémicas dos Açores para a aromaterapia e afirma que o assunto pode e deve merecer a atenção dos investigadores. No simpósio a realizar em Setembro estará presente Jorge Medeiros da Universidade dos Açores que tem realizado estudos sobre os óleos de algumas plantas, nomeadamente o incenso e a conteira.
Ana Cristina Figueiredo disse ao “Correio dos Açores” que há plantas, mesmo consideradas infestantes, “nas quais tropeçam quase todos os dias e que poderiam ter aproveitamento comercial. “Devíamos potenciar a nossa flora aromática , rica em plantas com óleos essenciais que podiam explorar e temos de conservar “acrescenta a investigadora que à Lusa acrescentou que a aromaterapia é uma das aplicações mais em voga dos óleos essenciais das plantas, conseguindo efeitos medicinais com resultados comprovados.
Jorge Medeiros acrescentou que, nos Açores, neste momento, as investigações ainda estão numa fase inicial, mas já há resultados laboratoriais que permitem concluir das potencialidades de algumas plantas.
Como se sabe, a conteira é uma infestante presente em quase toda a ilha e de acordo com a professora da Universidade de Lisboa, o seu aproveitamento poderia contribuir para o seu controlo, sem a extinguir.
Vulgarmente entendida como a arte de recorrer aos aromas para tratar a mente, o corpo e as emoções, a aromaterapia tem a sua face mais visível nas tão usadas “velas de cheiro”, ou nos cremes, o que não invalida resultados terapêuticos comprovados, diz a investigadora.
“ A dermatologia recorre muitas vezes à aromaterapia, já que a exposição a determinados aromas tem benefícios na cicatrização de tecidos”.
Em determinados casos, e no caso do Continente, como os portugueses não aproveitam os óleos das folhas e caules de certas plantas, são os Espanhóis a vir fazê-lo, uma situação que pode ser invertida, caso se incremente este tipo de actividade.
“Devíamos explorar, conservar e reconhecer esta flora antes que ela desapareça, como tantas vezes acontece, disse Ana Cristina Figueiredo que referência estudos, feitos em colaboração com outros países, nomeadamente os EUA, sobre a matéria que agora vai ser abordada no simpósio internacional.

ÓLEO DE MACAÚBA DISPUTA MERCADO COM O DE SOJA

O Que a Imprensa Diz do Coco
12/08 – ÓLEO DE MACAÚBA DISPUTA MERCADO COM O DE SOJA
Depois do milho, algodão, canola, azeite, manteiga, surge — embora ainda com perfil artesanal — um novo rival para o óleo de soja. Trata-se do óleo extraído do coco da macaúba. O novo produto começa a ser explorado de forma ‘racional’, assim como outros recursos naturais, pela Cooperativa Grande Sertão, localizada na região de Montes Claros, em Minas Gerais.

A cooperativa que produz polpa de frutas iniciou um projeto para industrializar o óleo de coco de macaúba e assim reduzir o preço final do litro do produto, de forma a torná-lo competitivo dentro do chamado ‘nicho dos óleos especiais’.

Apesar da versão soja liderar as vendas de óleos vegetais — respondendo por cerca de 70% desse mercado que movimenta anualmente algo em torno de R$ 3 bilhões —, os especiais já representam cerca de 30% do segmento. A Cargill é a líder, com 31% de participação e a Bunge Alimentos detém 27%, na vice-liderança. Segundo a engenheira agrônoma do Centro de Agricultura Alternativa, Elisa Ramos, o óleo é retirado tanto da massa, quanto da amêndoa do coco. O preço de mercado para o litro do óleo é de R$ 12, em função da produção ainda ser toda artesanal.

“Com a implantação das máquinas, será possível reduzir os custos e baixar os preços para torná-lo competitivo.”

Com uma produção de 3 toneladas/mês do fruto in natura, as prensas da nova máquina que será instalada na fábrica da cooperativa terá capacidade para processar 100 quilos de massa por hora. Segundo o gerente-comercial da cooperativa, Waldomiro da Silva, o óleo de macaúba tem fins alimentícios e pode perfeitamente substituir o de soja, na alimentação humana. “Iniciamos estudos para saber as propriedades nutricionais do óleo da macaúba”, afirma o coordenador da Grande Sertão, José Leles. Além disso, também será montada uma fábrica para produção de sabão.

“Os resíduos podem ser usados ainda como ração para suínos, aves, bovinos e caprinos”, afirma o gerente da cooperativa.

Silva explica que o óleo de macaúba também pode ser usado como lubrificantes para máquinas, combustível, em substituição ao óleo diesel, como carvão, piche, entre outros. Segundo Leles, a palmeira macaúba apresenta grande potencial para produção de óleo com vasta aplicação nos setores industriais e energéticos, com vantagens sobre outras oleaginosas, principalmente com relação à sua maior rentabilidade agrícola e produção total de óleo. O grande desafio agora, segundo Leles, é transformar a atividade hoje extrativa em um cultivo racional. Segundo os cooperados, para o surgimento de empreendimentos industriais mais ousados, é necessário substituir a atividade extrativa do coco da macaúba por cultivos racionais, possibilidade que ganha impulso com a busca de alternativas em face da crise energética atual. Por um lado, no Estado de Minas Gerais ocorrem grandes populações de macaúba, apontadas como economicamente promissoras. De outro, a exploração dos povoamentos existentes é feita de forma extrativa e com baixa produtividade.

A instalação de lavouras comerciais convive com dificuldades na quebra de dormência da semente — período em que permanece no solo antes de germinar — e no baixo crescimento inicial, além do desconhecimento de suas exigências ecológicas. Formada por cerca de 300 pequenos agricultores daquela região, a Grande Sertão deu o primeiro passo para mudar essa realidade. A entidade retira da natureza o sustento para aproximadamente 1.200 pessoas.

Data Edição: 12/08/03
Fonte: Panorama Brasil

Qua, 2 de Jun de 2004 3:09 am
“arnie_rj” <arnie_rj@yahoo.com.br>

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