Monthly Archives: Julho 2004

Óleo essencial de Louro-canela – Ocotea duckei Vattimo (Laureaceae) em estudo

Tese avalia efeitos de óleo essencial

O professor Renildo Moura da Cunha é o mais novo doutor do Departamento de Ciências da Natureza da Universidade Federal do Acre. Sua tese, intitulada “Efeitos do óleo essencial de Ocotea duckei Vattimo (Lauraceae) sobre parâmetros cardiovasculares de ratos”, foi defendida em março deste ano, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A Ocotea duckei Vattimo (Lauraceae) é uma árvore muito encontrada na região Nordeste do Brasil, conhecida popularmente pelos nomes de “louro de cheiro” e “louro canela”. Quanto ao resultado da pesquisa, segundo a banca examinadora, o mais importante é a contribuição que o trabalho dá aos estudos sobre o tratamento da hipertensão arterial.

Sobre os motivos que o levaram a fazer essa pesquisa, Renildo explica que “um conhecimento cada vez mais aprofundado sobre as plantas medicinais desenvolvido através de estudos integrando as áreas da botânica, sistemática, química, farmacologia, biologia molecular e outras ciências afins se faz mais do que necessário”.

E o novo doutor conclui o seu raciocínio afirmando que esse conhecimento “parece vital para dar suporte e maior longevidade ao uso do potencial florístico ainda existente no planeta, sendo que a exploração deve ser racional e sustentada, ainda que o objetivo maior seja a preservação da saúde e da vida humana, através da prevenção, controle ou cura das diferentes moléstias que afligem as populações”.

Exemplares da tese do professor doutor Renildo Cunha podem ser encontrados na Biblioteca Central da Ufac.

Eucalipto Smithii (Eucalyptus smithii) – Pesquisa sobre global sobre a planta e seu óleo essencial

No presente trabalho caracterizou-se o Eucalyptus smithii para a produção de
óleo essencial no Município de Colombo, no Estado do Paraná.

Esta espécie é originária da Austrália e seu óleo essencial é classificado como comercial e
medicinal, fonte de 1,8-cineol. Com o intuito de explorar a essência deste
eucalipto para comercialização no Mercado Brasileiro de Óleos Essenciais e
para exportação, procurou-se caracterizar esta espécie ampliando as
informações já existentes através da abordagem sob diferentes aspectos, além
da proposta de inclusão na Farmacopéia Brasileira. Para a realização deste
trabalho foram utilizadas 15 árvores, localizadas em campo experimental da
Embrapa Florestas, no Município de Colombo, plantadas em 1988, sob as mesmas
condições de solo. Destas, 1 árvore foi utilizada para os estudos de
armazenamento, 1 árvore para as análises fitoquímicas, 5 árvores para os
estudos sazonais de material adulto e, 8 árvores cortadas para os estudos
sazonais de material juvenil. Caracterizou-se anatomicamente a espécie com
relação às partes vegetais portadoras de óleo essencial (folhas, ramos
terminais, lenho e casca). Investigou-se, através de “screning fitoquímico”,
os principais metabólitos secundários presentes nas folhas, lenho e casca.
Estudou-se o rendimento de óleo essencial, assim como sua composição e
características físico-químicas tomando-se como parâmetros o tipo de
material colhido (folhas, ramos, lenho e casca), a característica da árvore
(adulta ou juvenil) e a estação climática da colheita, além da análise do
potencial econômico do óleo essencial para a produção no Paraná.

Conclui-se que o Eucalyptus smithii apresenta estrutura anatômica do lenho e da casca
homogênea, sendo observadas bolsas de quino no lenho e cavidades secretoras
na casca, nas folhas e tecidos corticais dos ramos terminais. As análises
fitoquímicas revelaram, em comum nas folhas verdes e oxidadas, lenho e
casca, a presença de compostos com possíveis utilizações nas indústrias
químicas e farmacêuticas tais como glicosídios flavônicos e saponínicos,
taninos, esteróides e/ou triterpenos.

Na pesquisa de óleo essencial, com o armazenamento do material vegetal ao ar, evidenciou-se que a umidade, em
termos de massa absoluta de material úmido, conduz a rendimentos
expressivamente diferentes levando a interpretações distintas, sendo
indicado para os estudos de rendimentos a utilização de material recém
coletado ou em termos de base seca. Nos estudos sazonais, em equipamento
destilador da ABNT, observou-se um rendimento médio global para material
recém colhido de 2,51% para as folhas adultas (F), 2,30% para as folhas
adultas + ramos terminais (A), 2,12% para as folhas juvenis + ramos
terminais, 1,60% para as folhas adultas + ramos terminais mofados e 0,65%
para os ramos terminais. Os sistemas de extração da ABNT e Clevenger Básico
foram considerados equivalentes estatisticamente, porém notou-se que o
aparelho da ABNT apresenta maior eficiência por apresentar quase todos os
valores superiores. As quantidades utilizadas para a extração (100, 200, 300
e 400 g) foram também consideradas equivalentes com relação ao rendimento em
óleo essencial. Quanto às características físico-químicas do óleo essencial,
a densidade relativa (d2020) para as folhas adultas foi 0,91566, as folhas
adultas + ramos terminais 0,91560, as folhas adultas + ramos terminais
mofados 0,91702 e as folhas juvenis + ramos terminais 0,91503. Os índices de
refração foram de 1,4597 para as folhas adultas, 1,4598 para as folhas
adultas + ramos terminais, 1,4635 para as folhas adultas + ramos terminais
mofados e 1,4616 para as folhas juvenis + ramos terminais. A solubilidade em
etanol a 70% foi cerca de 3:1 e a de etanol 96,5% de 1:1 para todos os
materiais. A rotação óptica foi positiva indicando que o óleo essencial é
dextrógiro. A maioria destes índices físico-químicos apresentaram-se
concordantes às especificações para óleos essenciais de eucaliptos ricos em
1,8-cineol ou com valores próximos destas especificações. As frações obtidas
em diferentes tempos de extração revelaram que a maior parte do óleo
essencial é retirado do material vegetal na primeira hora de destilação
(81%) e que há diferenças na coloração, indicando alterações na composição
do óleo essencial com o prolongamento da extração. O óleo essencial
apresentou, ao todo, 52 componentes, sendo encontrados principalmente
álcoois (19) e hidrocarbonetos (12), 1 óxido terpênico, o 1,8-cineol, como
componente majoritário e outros componentes. Os componentes mais freqüentes
foram 1,8-cineol, isovaleraldeído, g-terpineno, trans-pinocarveol e
a-terpineol presentes em todas as partes vegetais estudadas inclusive nas
frações. A presença de isovaleraldeído indica que este óleo essencial
necessita de retificação. Na pesquisa sazonal do teor de 1,8-cineol, houve
variação, sendo que as folhas adultas apresentaram maior teor no verão
(85,16%), seguido pelo outono (82,34%), primavera (80,44%) e inverno
(78,25%). O mesmo ocorreu com as folhas juvenis + ramos terminais: verão
(84,47%), seguido de outono (81,43%) e inverno (70,72%). Para as folhas
adultas + ramos terminais mofados não houve diminuição do teor de 1,8-cineol
(83,25%) em relação ao material verde. Os ramos terminais adultos
apresentaram 67,60% de 1,8-cineol. Nas frações, o teor de 1,8-cineol
decresceu nas folhas adultas com o tempo de extração: de 0 a 10 minutos
(93,08%), 10 minutos a 40 minutos (90,07%), 40 minutos a 1 hora e 40 minutos
(80,00%) e na fração de 1 hora e quarenta minutos a 5 horas de extração
(38,24%). Foi obtido também o óleo essencial de outras partes vegetais, no
inverno, como do lenho (0,05 a 0,10%), da casca (0,58 a 0,60% de rendimento
com 23,54% de 1,8-cineol), das folhas juvenis (3,30%) e dos ramos terminais
juvenis (0,50%). A essência da casca apresentou características
físico-químicas fora das especificações para essências ricas em 1,8-cineol,
porém as folhas juvenis e os ramos terminais juvenis apresentaram-se de
acordo com a maioria destas especificações.

Através deste estudo conclui-se que o óleo essencial de Eucalyptus smithii da região de Colombo – PR, tanto
de material adulto como de material juvenil, obedece as especificações
internacionais exigidas para óleos essenciais de eucaliptos ricos em
1,8-cineol, sendo indicada a sua incorporação à Farmacopéia Brasileira, como
espécie de eucalipto cultivada no Brasil, fonte de 1,8-cineol. A exploração
de E. smithii, no município de Colombo, para a obtenção de óleo essencial é
economicamente viável, conforme análise de custos realizada e as estações
mais quentes apresentaram-se mais favoráveis para a sua exploração, nas
quais a primavera apresentou os maiores rendimentos em essência e o verão os
maiores percentuais de 1,8-cineol indicando esta última estação também ser a
melhor época para colheita devido a maior produção de biomassa.

Óleo de pimenta-de-macaco e outros exóticos e aromáticos da Amazônia tem propriedades medicinais

Estudo analisa 1,3 mil espécies
Pesquisa revela potencial econômico
e propriedades das plantas da região

Fabiana Gomes de Belém

Fotos: Rodolfo OLiveira
José Guilherme Maia, pesquisador do Goeldi e coordenador do projeto

A exploração comercial da flora aromática da região amazônica, restrita até então ao óleo de pau-rosa, óleo da resina de copaíba, óleo de andiroba e sementes de cumaru, tem tudo para se consolidar no mercado industrial e se tornar, junto com a fruticultura e a pecuária, em mais um dos pilares da base econômica da região. A expectativa para o novo mercado é alimentada por uma pesquisa que analisou cerca de 1,3 mil espécies aromáticas, que se revelaram não só de grande potencial econômico, mas também com múltiplas vocações. As plantas, por exemplo, apresentaram propriedades medicinais, com componentes voláteis contendo propriedades inseticida, fungicida, bactericida, larvicida, repelente e uso em novas fragrâncias e perfumes.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto de Estudos e Pesquisas Tecnológicas do Amapá (IEPA), com financiamento do PPG-7, via Banco Mundial e da Comunidade Européia.

Fotos: Rodolfo OLiveira
Andiroba tem grande utilização pelas indústrias de cosméticos

Segundo o coordenador do projeto, José Guilherme Maia, os resultados desse trabalho são frutos dos estudos que o grupo realiza nos últimos 20 anos pelo INPA e MPEG. “Contudo, é uma pesquisa com novos desdobramentos. Nesses últimos seis anos, além do inventário da flora aromática, tanto do ponto de vista botânico quanto químico, a pesquisa teve desdobramentos ao analisar plantas aromáticas e óleos essenciais, com aproveitamento comercial”, relata o pesquisador do Goeldi, acrescentando que o MPEG, em parceria com a UFPA e UFLA (Universidade Federal de Lavras), analisou as partes botânicas, químicas e agronômicas e desenvolveu sistemas de produção na otimização das tecnologias de cultivo, secagem e destilação no campo.
Também foi estudado o potencial biológico das plantas, a fim de se validar cientificamente o uso popular de algumas delas, que apresentam atividade analgésica, antiinflamatória, inseticida, fungicida, bactericida, larvicida, moluscicida, e, em alguns casos, eficácia na repelência e controle de insetos-vetores, que transmitem doenças infecto-contagiosas como a dengue e a malária.

Fotos: Rodolfo OLiveira
Pimenta-de-macaco do bosque da Embrapa

Controle da vassoura-de-bruxa

A pesquisa abrangeu toda a região amazônica. Foram mais de 50 mil quilômetros percorridos pelos pesquisadores. As áreas priorizadas foram os cerrados e campos naturais do Mato Grosso, Amapá, Roraima, Tocantins, Maranhão, e a parte de savanas e mata secundária do Estado do Pará e a Ilha de Marajó.
Guilherme Maia diz que o mercado local, praticamente, não existe e, de um modo geral, as indústrias locais utilizam as essências importadas de outros países. “O mercado nacional está crescendo, mas sem utilizar, ainda, matérias-primas amazônicas, à exceção dos óleos de pau-rosa e copaíba e sementes de cumaru, que já fazem parte da pauta de comércio da região há cerca de 100 anos. O mercado internacional é ávido por novos produtos. Contudo, eles (empresários) querem comprar o produto já acabado”, analisa.
Um sintoma muito forte do crescimento do mercado regional, diz o pesquisador, é o óleo essencial de pimenta-longa (Piper hispidinervium), que teve as tecnologias de cultivo e de processamento geradas pelo MPEG, agora repassadas ao pequeno produtor pela Embrapa Amazônia Oriental Pará e pela unidade do Acre. A espécie, produtora de óleo essencial rico em safrol, tem hoje importante valor comercial no mercado internacional, por ser o safrol uma molécula precursora de piperonal, um fixador de fragrâncias, e de butóxido de piperonila, que age como um inseticida muito eficaz, de origem “natural” e “biodegradável”.
Pimenta-de-macaco – Durante os estudos, os pesquisadores avaliaram, principalmente, óleos essenciais de piperáceas, analisando a qualidade do óleo essencial, propriedades medicinal, antifúngica, bactericida e larvicida. No grupo, descobriram a planta que pode ser capaz de reunir todas as qualidades estudadas: a espécie Piper aduncum, popularmente conhecida como pimenta-de-macaco. As tecnologias de cultivo e de processamento (secagem e destilação no campo) estão sendo implementadas pelo grupo. Em laboratório, a planta pode produzir até 3% do óleo essencial.
A essência é testada pela Ceplac no controle de fungos e bactérias que atacam culturas como o cacau, cupuaçu, pimenta-do-reino, banana e maracujá. A pimenta-de-macaco está combatendo, com sucesso, a vassoura-de-bruxa, tanto em casa de vegetação como no campo, e a antracnose. “Ainda estão sendo avaliados outros 20 tipos de óleos extraídos de diferentes piperáceas, com resultados que são promissores em relação à ação fungicida e bactericida”, assegura o fitopatologista da Ceplac, Cleber Novaes Bastos.

Óleo de Hortelã e problemas intestinais

Hortelã e problemas intestinais

Médicos constatam que o hortelã é multificiente.
Médicos da Universidade Missouri, nos Estados Unidos, notaram que o óleo de hortelã é eficiente para tratar um problema conhecido por síndrome do intestino irritável. Ela causa dores abdominais, inchaço e ciclos de diarréia ou de constipação. “As causas são pouco conhecidas, mas já se sabe que a doença tem um forte componente emocional”, diz jaime Eisig, gastroenterologista da Universidade de São Paulo. A pesquisa acompanhou 42 crianças com a síndrome. Parte engoliu placebo – remédio falso – e não obteve melhora. Já 70% da turma tratada com óleo de hortelã teve uma significativa redução dos sintomas. Médicos naturalistas conhecem as propriedades excelentes da hortelã para o sistema digestivo e nervoso. A pesquisa americana confirma e amplia esses conhecimentos.

Fonte: Jornal Bem Estar – julho / 2004