Óleo de pimenta-de-macaco e outros exóticos e aromáticos da Amazônia tem propriedades medicinais

Estudo analisa 1,3 mil espécies
Pesquisa revela potencial econômico
e propriedades das plantas da região

Fabiana Gomes de Belém

Fotos: Rodolfo OLiveira
José Guilherme Maia, pesquisador do Goeldi e coordenador do projeto

A exploração comercial da flora aromática da região amazônica, restrita até então ao óleo de pau-rosa, óleo da resina de copaíba, óleo de andiroba e sementes de cumaru, tem tudo para se consolidar no mercado industrial e se tornar, junto com a fruticultura e a pecuária, em mais um dos pilares da base econômica da região. A expectativa para o novo mercado é alimentada por uma pesquisa que analisou cerca de 1,3 mil espécies aromáticas, que se revelaram não só de grande potencial econômico, mas também com múltiplas vocações. As plantas, por exemplo, apresentaram propriedades medicinais, com componentes voláteis contendo propriedades inseticida, fungicida, bactericida, larvicida, repelente e uso em novas fragrâncias e perfumes.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Instituto de Estudos e Pesquisas Tecnológicas do Amapá (IEPA), com financiamento do PPG-7, via Banco Mundial e da Comunidade Européia.

Fotos: Rodolfo OLiveira
Andiroba tem grande utilização pelas indústrias de cosméticos

Segundo o coordenador do projeto, José Guilherme Maia, os resultados desse trabalho são frutos dos estudos que o grupo realiza nos últimos 20 anos pelo INPA e MPEG. “Contudo, é uma pesquisa com novos desdobramentos. Nesses últimos seis anos, além do inventário da flora aromática, tanto do ponto de vista botânico quanto químico, a pesquisa teve desdobramentos ao analisar plantas aromáticas e óleos essenciais, com aproveitamento comercial”, relata o pesquisador do Goeldi, acrescentando que o MPEG, em parceria com a UFPA e UFLA (Universidade Federal de Lavras), analisou as partes botânicas, químicas e agronômicas e desenvolveu sistemas de produção na otimização das tecnologias de cultivo, secagem e destilação no campo.
Também foi estudado o potencial biológico das plantas, a fim de se validar cientificamente o uso popular de algumas delas, que apresentam atividade analgésica, antiinflamatória, inseticida, fungicida, bactericida, larvicida, moluscicida, e, em alguns casos, eficácia na repelência e controle de insetos-vetores, que transmitem doenças infecto-contagiosas como a dengue e a malária.

Fotos: Rodolfo OLiveira
Pimenta-de-macaco do bosque da Embrapa

Controle da vassoura-de-bruxa

A pesquisa abrangeu toda a região amazônica. Foram mais de 50 mil quilômetros percorridos pelos pesquisadores. As áreas priorizadas foram os cerrados e campos naturais do Mato Grosso, Amapá, Roraima, Tocantins, Maranhão, e a parte de savanas e mata secundária do Estado do Pará e a Ilha de Marajó.
Guilherme Maia diz que o mercado local, praticamente, não existe e, de um modo geral, as indústrias locais utilizam as essências importadas de outros países. “O mercado nacional está crescendo, mas sem utilizar, ainda, matérias-primas amazônicas, à exceção dos óleos de pau-rosa e copaíba e sementes de cumaru, que já fazem parte da pauta de comércio da região há cerca de 100 anos. O mercado internacional é ávido por novos produtos. Contudo, eles (empresários) querem comprar o produto já acabado”, analisa.
Um sintoma muito forte do crescimento do mercado regional, diz o pesquisador, é o óleo essencial de pimenta-longa (Piper hispidinervium), que teve as tecnologias de cultivo e de processamento geradas pelo MPEG, agora repassadas ao pequeno produtor pela Embrapa Amazônia Oriental Pará e pela unidade do Acre. A espécie, produtora de óleo essencial rico em safrol, tem hoje importante valor comercial no mercado internacional, por ser o safrol uma molécula precursora de piperonal, um fixador de fragrâncias, e de butóxido de piperonila, que age como um inseticida muito eficaz, de origem “natural” e “biodegradável”.
Pimenta-de-macaco – Durante os estudos, os pesquisadores avaliaram, principalmente, óleos essenciais de piperáceas, analisando a qualidade do óleo essencial, propriedades medicinal, antifúngica, bactericida e larvicida. No grupo, descobriram a planta que pode ser capaz de reunir todas as qualidades estudadas: a espécie Piper aduncum, popularmente conhecida como pimenta-de-macaco. As tecnologias de cultivo e de processamento (secagem e destilação no campo) estão sendo implementadas pelo grupo. Em laboratório, a planta pode produzir até 3% do óleo essencial.
A essência é testada pela Ceplac no controle de fungos e bactérias que atacam culturas como o cacau, cupuaçu, pimenta-do-reino, banana e maracujá. A pimenta-de-macaco está combatendo, com sucesso, a vassoura-de-bruxa, tanto em casa de vegetação como no campo, e a antracnose. “Ainda estão sendo avaliados outros 20 tipos de óleos extraídos de diferentes piperáceas, com resultados que são promissores em relação à ação fungicida e bactericida”, assegura o fitopatologista da Ceplac, Cleber Novaes Bastos.

One response to “Óleo de pimenta-de-macaco e outros exóticos e aromáticos da Amazônia tem propriedades medicinais

  1. Gostaria saber mais sobre essa cultura

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