Eucalipto Smithii (Eucalyptus smithii) – Pesquisa sobre global sobre a planta e seu óleo essencial

No presente trabalho caracterizou-se o Eucalyptus smithii para a produção de
óleo essencial no Município de Colombo, no Estado do Paraná.

Esta espécie é originária da Austrália e seu óleo essencial é classificado como comercial e
medicinal, fonte de 1,8-cineol. Com o intuito de explorar a essência deste
eucalipto para comercialização no Mercado Brasileiro de Óleos Essenciais e
para exportação, procurou-se caracterizar esta espécie ampliando as
informações já existentes através da abordagem sob diferentes aspectos, além
da proposta de inclusão na Farmacopéia Brasileira. Para a realização deste
trabalho foram utilizadas 15 árvores, localizadas em campo experimental da
Embrapa Florestas, no Município de Colombo, plantadas em 1988, sob as mesmas
condições de solo. Destas, 1 árvore foi utilizada para os estudos de
armazenamento, 1 árvore para as análises fitoquímicas, 5 árvores para os
estudos sazonais de material adulto e, 8 árvores cortadas para os estudos
sazonais de material juvenil. Caracterizou-se anatomicamente a espécie com
relação às partes vegetais portadoras de óleo essencial (folhas, ramos
terminais, lenho e casca). Investigou-se, através de “screning fitoquímico”,
os principais metabólitos secundários presentes nas folhas, lenho e casca.
Estudou-se o rendimento de óleo essencial, assim como sua composição e
características físico-químicas tomando-se como parâmetros o tipo de
material colhido (folhas, ramos, lenho e casca), a característica da árvore
(adulta ou juvenil) e a estação climática da colheita, além da análise do
potencial econômico do óleo essencial para a produção no Paraná.

Conclui-se que o Eucalyptus smithii apresenta estrutura anatômica do lenho e da casca
homogênea, sendo observadas bolsas de quino no lenho e cavidades secretoras
na casca, nas folhas e tecidos corticais dos ramos terminais. As análises
fitoquímicas revelaram, em comum nas folhas verdes e oxidadas, lenho e
casca, a presença de compostos com possíveis utilizações nas indústrias
químicas e farmacêuticas tais como glicosídios flavônicos e saponínicos,
taninos, esteróides e/ou triterpenos.

Na pesquisa de óleo essencial, com o armazenamento do material vegetal ao ar, evidenciou-se que a umidade, em
termos de massa absoluta de material úmido, conduz a rendimentos
expressivamente diferentes levando a interpretações distintas, sendo
indicado para os estudos de rendimentos a utilização de material recém
coletado ou em termos de base seca. Nos estudos sazonais, em equipamento
destilador da ABNT, observou-se um rendimento médio global para material
recém colhido de 2,51% para as folhas adultas (F), 2,30% para as folhas
adultas + ramos terminais (A), 2,12% para as folhas juvenis + ramos
terminais, 1,60% para as folhas adultas + ramos terminais mofados e 0,65%
para os ramos terminais. Os sistemas de extração da ABNT e Clevenger Básico
foram considerados equivalentes estatisticamente, porém notou-se que o
aparelho da ABNT apresenta maior eficiência por apresentar quase todos os
valores superiores. As quantidades utilizadas para a extração (100, 200, 300
e 400 g) foram também consideradas equivalentes com relação ao rendimento em
óleo essencial. Quanto às características físico-químicas do óleo essencial,
a densidade relativa (d2020) para as folhas adultas foi 0,91566, as folhas
adultas + ramos terminais 0,91560, as folhas adultas + ramos terminais
mofados 0,91702 e as folhas juvenis + ramos terminais 0,91503. Os índices de
refração foram de 1,4597 para as folhas adultas, 1,4598 para as folhas
adultas + ramos terminais, 1,4635 para as folhas adultas + ramos terminais
mofados e 1,4616 para as folhas juvenis + ramos terminais. A solubilidade em
etanol a 70% foi cerca de 3:1 e a de etanol 96,5% de 1:1 para todos os
materiais. A rotação óptica foi positiva indicando que o óleo essencial é
dextrógiro. A maioria destes índices físico-químicos apresentaram-se
concordantes às especificações para óleos essenciais de eucaliptos ricos em
1,8-cineol ou com valores próximos destas especificações. As frações obtidas
em diferentes tempos de extração revelaram que a maior parte do óleo
essencial é retirado do material vegetal na primeira hora de destilação
(81%) e que há diferenças na coloração, indicando alterações na composição
do óleo essencial com o prolongamento da extração. O óleo essencial
apresentou, ao todo, 52 componentes, sendo encontrados principalmente
álcoois (19) e hidrocarbonetos (12), 1 óxido terpênico, o 1,8-cineol, como
componente majoritário e outros componentes. Os componentes mais freqüentes
foram 1,8-cineol, isovaleraldeído, g-terpineno, trans-pinocarveol e
a-terpineol presentes em todas as partes vegetais estudadas inclusive nas
frações. A presença de isovaleraldeído indica que este óleo essencial
necessita de retificação. Na pesquisa sazonal do teor de 1,8-cineol, houve
variação, sendo que as folhas adultas apresentaram maior teor no verão
(85,16%), seguido pelo outono (82,34%), primavera (80,44%) e inverno
(78,25%). O mesmo ocorreu com as folhas juvenis + ramos terminais: verão
(84,47%), seguido de outono (81,43%) e inverno (70,72%). Para as folhas
adultas + ramos terminais mofados não houve diminuição do teor de 1,8-cineol
(83,25%) em relação ao material verde. Os ramos terminais adultos
apresentaram 67,60% de 1,8-cineol. Nas frações, o teor de 1,8-cineol
decresceu nas folhas adultas com o tempo de extração: de 0 a 10 minutos
(93,08%), 10 minutos a 40 minutos (90,07%), 40 minutos a 1 hora e 40 minutos
(80,00%) e na fração de 1 hora e quarenta minutos a 5 horas de extração
(38,24%). Foi obtido também o óleo essencial de outras partes vegetais, no
inverno, como do lenho (0,05 a 0,10%), da casca (0,58 a 0,60% de rendimento
com 23,54% de 1,8-cineol), das folhas juvenis (3,30%) e dos ramos terminais
juvenis (0,50%). A essência da casca apresentou características
físico-químicas fora das especificações para essências ricas em 1,8-cineol,
porém as folhas juvenis e os ramos terminais juvenis apresentaram-se de
acordo com a maioria destas especificações.

Através deste estudo conclui-se que o óleo essencial de Eucalyptus smithii da região de Colombo – PR, tanto
de material adulto como de material juvenil, obedece as especificações
internacionais exigidas para óleos essenciais de eucaliptos ricos em
1,8-cineol, sendo indicada a sua incorporação à Farmacopéia Brasileira, como
espécie de eucalipto cultivada no Brasil, fonte de 1,8-cineol. A exploração
de E. smithii, no município de Colombo, para a obtenção de óleo essencial é
economicamente viável, conforme análise de custos realizada e as estações
mais quentes apresentaram-se mais favoráveis para a sua exploração, nas
quais a primavera apresentou os maiores rendimentos em essência e o verão os
maiores percentuais de 1,8-cineol indicando esta última estação também ser a
melhor época para colheita devido a maior produção de biomassa.

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