Sabonete repelente é nova arma contra a dengue

FONTE: http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3&noticia=423

Sabonete repelente pode ser coadjuvante no combate à dengue
Por Marina Mezzacappa
01/04/2008

A epidemia de dengue no estado do Rio de Janeiro já contabilizou mais
de 43 mil casos da doença este ano. Até esta segunda-feira (dia 31),
67 mortes eram atribuídas oficialmente à dengue no estado. Atentos a
essa realidade, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte
Fluminense (UENF) estão desenvolvendo um sabonete repelente que pode
atuar como coadjuvante no combate à doença.

A equipe do Laboratório de Ciências Químicas da universidade,
capitaneada por Edmilson José Maria, realiza a pesquisa desde outubro
de 2007. O objetivo é obter um sabonete que tenha ação repelente de
seis horas e baixo custo para a população.

“A fêmea do mosquito Aedes aegypti atua no período diurno e nossa
intenção é a utilização de um sabonete repelente nesse horário para
diminuir o tempo de ataque da fêmea e reduzir gradativamente o número
de casos”, explica José Maria.

O pesquisador afirma que, ao contrário do uso de repelentes corporais,
o banho já é um hábito incorporado, o que facilitaria a aceitação do
produto. “Além disso, repelentes corporais, elétricos e inseticidas
têm uma relação custo benefício elevada para o padrão da população
brasileira”, avalia.

Segundo ele, o sabonete deve ser passado preferencialmente nas áreas
do corpo que ficam descobertas, evitando mucosas e feridas, bem como a
utilização por crianças com menos de seis anos e mulheres grávidas. “O
produto terá as mesmas propriedades dos sabonetes tradicionais e
poderá substitui-los em algumas circunstâncias, podendo ser usado em
partes do corpo ou em toda sua extensão, dependendo do local onde a
pessoa esteja”, explica José Maria.

O sabonete tem em sua composição, além de glicerina, óleos essenciais
com comprovada ação repelente contra mosquitos e pernilongos,
extraídos de plantas como o capim-limão, a citronela e o
cravo-da-índia. “Faremos testes para verificar a eficiência também
contra carrapatos”, diz. A fórmula conta ainda com outras substâncias,
mantidas em sigilo, que ajudam a aumentar o tempo de ação do produto.

A idéia de produção de um sabonete repelente surgiu quando Edmilson
José Maria passou a integrar o grupo de pesquisas sobre biodiesel da
UENF e sugeriu a coleta do óleo de fritura usado em estabelecimentos
comerciais e associações de moradores para suprir tais pesquisas. “A
partir dessa idéia, preconizamos a utilização de parte desse óleo
usado e do subproduto do biodiesel, a glicerina, para fazermos sabão,
e, posteriormente, pensamos em agregar ao nosso produto substâncias
repelentes a mosquitos e pernilongos”, conta.

No momento, o sabonete está em fase de testes com concentrações
variadas para delineação do maior poder repelente. Os testes estão
sendo efetuados em parceria com as áreas de bioquímica e biologia da
universidade. “Nossos esforços estão concentrados somente nessa
pesquisa para disponibilizarmos o produto final o mais rápido
possível, preferencialmente antes do final do primeiro semestre”,
informa Maria. “Nosso intuito é disponibilizar o produto para
aquisição preferencial por órgãos públicos ligados à saúde e,
posteriormente, pelo público em geral”, completa.

Os pesquisadores, que pretendem patentear o produto, estão abertos a
novas parcerias para realização da pesquisa e também para a colocação
do produto no mercado. O desenvolvimento de outros produtos com os
mesmos efeitos também estão sendo analisados, como uma versão para
lavagem de roupas, com maior poder repelente, cremes e adesivos
autocolantes.

Larvicida: outra arma

O biolarvicida Bt-horus, desenvolvido pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também promete contribuir na luta
contra o mosquito da dengue. O inseticida biológico, atóxico e eficaz
contra as larvas de Aedes aegypti, foi desenvolvido em parceria com a
empresa Bthek e consiste na utilização de uma bactéria. Misturada em
uma solução, ela serve de alimento para as larvas do mosquito que, ao
ingeri-la, tem seu intestino destruído e morrem.

O produto, inofensivo para outros organismos e de fácil aplicação
pelos próprios moradores, já foi usado nas cidades de Rio das Ostras
(Rio de Janeiro), São Sebastião (Distrito Federal), Três Lagoas (Mato
Grosso do Sul) e Sorriso (Mato Grosso). Em todas, o índice de
infestação pelo mosquito diminuiu. O Ministério da Saúde ainda não tem
previsão para a utilização do produto.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também desenvolveu um inseticida
natural para combater as larvas do mosquito da dengue. O novo biocida
é feito a partir de uma substância da Piper solmsianum, planta da
família das pimentas. Nativa da Mata Atlântica, a planta é atóxica e
não deixa resíduos químicos. Colocado em reservatórios de água, o
biocida mata as larvas de insetos. O estudo está em fase de testes de
campo e levantamento de custo e o produto deve chegar ao mercado em
até quatro anos.

Para saber mais:

– Um banho para vencer a batalha contra o mosquito da dengue

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s