Óleo de Chalmugra (Carpotroche braziliensis / Sapucainha)

A ERA CHALMÚGRICA

A utilização dos óleos chalmúgricos na antigafarmacopéia
hindu e chinesa era preconizada paradoenças de pele, especialmente para a
hanseníase.6

Seu uso na medicina ayurveda, na Índia, remonta hámais de 2.000
anos e é relacionado à lenda queconta a cura da hanseníase do príncipe Rama
(de Benares) e da princesa Piya pelos frutos da árvorekalav.7No Ocidente
tornou-se conhecido a partirdos relatos de Mouat em 18546,*e começou a ser
utilizado em finais do século 19 no tratamento de váriasdoenças, entre as
quais a tuberculose e a hanseníase.6,8O óleo de chalmugra é obtido desementes
dos frutos de plantas da família Flacourtiácea. Inicialmente acreditava-se
que fosse originário de plantas do gênero Gynocarpus, tendosido mais tarde
esclarecido o fato de que original-mente provinha do Hydnocarpus
kurzii.1,7

As plantasprodutoras desse óleo são encontradas nas
florestastropicais asiáticas, na Índia, Sri Lanka, península1925 – 2005
Evolução e estado atual daquimioterapia da hanseníase*1925 – 2005 Evolution
and current status ofleprosy chemotherapy*Marcelo Grossi Araújo1*Mouat FJ.
Notes on native remedies. Indian Ann Med Sci.1854;1:646-652. Apud 6

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An Bras Dermatol. 2005;80(2):199-202.200Araújo MG.Indo-China, Filipinas e
Indonésia.6 No Brasil, foi identificada a espécie Carpotroche braziliensis,
conhecida por sapucainha.7Os derivados chalmúgricos vieram como
alternativa aos antimoniais, arsenicais e iodo, entre outros.

1,7As plantas produtoras do óleo passaram a sercultivadas em várias regiões do mundo, o
Brasil incluído. A identificação posterior da C. braziliensisfez com que essa se tornasse a principal fornecedorada substância ativa no país.7O óleo chalmúgrico era obtido pela prensa das sementes e a posterior saponificação,
pelo hidróxido de sódio. Entre os ácidos graxos obtidos estão os ácidos chalmúgrico e o ácido hydnocárpico, que diferem ligeiramente em suacomposição química e em seu poder de desvio óticoda luz polarizada.6,7Sua utilização
era feita por meiode fórmulas magistrais, como a de Brocq e Pomaret,citada por Ramos e Silva:1Óleo de chaulmoogra70ccEucalyptol 30ccPara injeções intra-musculares.A indústria farmacêutica local desenvolveuvários produtos e as multinacionais produziram,entre outros, o Alepol, Moogrol(Burroughs-Welcome),6Antileprol(Bayer). Na realidade, o tratamento chalmúgrico representou a primeira possibilidade concreta para o arsenal
terapêutico dahanseníase. Foi empregado por via oral, abandonada pelos efeitos irritantes para o trato gastrointestinal,parenteral (intramuscular ou endovenosa) e emforma de aplicações intralesionais conhecida como plancha.

Esta última modalidade teve muitos adeptos e era considerado eficaz na regressão de lesões pau-cibacilares.7,9,10Seu mecanismo de ação não era conhecido. Acreditava-se que estimularia a ação das lípases séricas na parede bacteriana facilitando a lise domicroorganismo.1,8,11De Mello, em 1925, consideravatambém um possível efeito imunoestimulador11ealguns autores sugeriam que, no caso do tratamentointralesional, o trauma mecânico seria
responsávelpor essa estimulação.9Embora tivessem seu uso largamente difundido, muitos questionamentos foram feitos desde aintrodução dos derivados chalmúgricos no arsenalterapêutico da hanseníase. Bechelli, Rotberg, em1951, mostraram a grande discordância entre osdiversos autores em relação aos resultados obtidoscom esse tratamento e afirmavam não haver estudos metodologicamente adequados capazes deconfirmar sua eficácia.

Admitiam, entretanto, seuefeito local na melhora de muitas lesões e seu papel no controle, facilitando ou estimulando abusca de tratamento pelos pacientes que antes seocultavam.10A introdução das sulfonas no tratamento da hanseníase a partir das observações de Faget em1941 iniciou o declínio dos chalmúgricos.

12,*A*Faget GH, Pogge RC, Johansen FA, Dinan JF, Prejean BM, Eccles CG. The promin treatment of leprosy. Public Health Rep.1943;58:1729.Apud12

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