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Óleo essencial de lírio!

6 de outubro de 2006

Flor de Holambra inspira perfume
Vilma Gasques

As flores de Holambra, na região de Campinas, agora já não são
comercializadas apenas para decoração. Num projeto com investimentos
que chegam a R$ 5 milhões, o Boticário coloca no mercado amanhã o
Lily Essence — a primeira eau de parfum da empresa, que tem como
matéria-prima uma variedade produzida pela Fazenda Terra Viva, uma
das maiores da região.

A empresa pesquisou o processo artesanal de produção de perfumes
extinto no mundo e conhecido como enfleurage para desenvolver esta
fragrância. Esta técnica é utilizada para a obtenção de óleos
essenciais das flores e data da Antiguidade. Embora tenha sido muito
usada, ela passou por um processo de sofisticação e aprimoramento e,
por ter custo elevado, deixou de ser praticada desde 2002.

Durante o processo de pesquisa para se chegar ao perfume ideal, o
Boticário descobriu o Lírio Stargazer, produzido pela Terra Viva. “A
descoberta do lírio perfeito para a produção de Lily Essence veio
após uma visita da equipe do Boticário a Holambra. Encontrada a
espécie única, com um perfume muito feminino, os profissionais da
empresa perceberam que tinham a chance de acompanhar todo o ciclo
produtivo de um perfume”, diz Israel Feferman, diretor de Pesquisa e
Inovação do Boticário.

Pela primeira vez no Brasil foram plantadas flores especialmente
para o uso em perfumaria. A produção do óleo essencial do lírio —
que recebeu o nome comercial de Lily Oil Botica — está sendo feita
na fábrica do Boticário, em São José dos Pinhais (PR), em um espaço
específico que abriga o desenvolvimento da técnica. As flores chegam
na fábrica ainda fechadas e desabrocham para que o perfume seja
capturado pelo processo de enfleurage.

De acordo com Feferman, o resgate do processo milenar de extração de
óleos essenciais feito pelo Boticário permitiu a abertura de um
mercado promissor para os produtos de Holambra. “A parceria foi tão
bem-sucedida que já estamos pensando em novos projetos”, diz.

“Este lançamento tem um significado muito especial para o Boticário,
que fez muitas pesquisas para identificar oportunidades de ingresso
no mercado de luxo, de produtos mais sofisticados. E este foi um
momento certo, pois já estamos pensando no aumento de vendas que
acontece no setor no final do ano”, ressalta.

Em 2005, a perfumaria fina no Brasil movimentou US$ 80 milhões, o
que representou um crescimento de receita de 22,5%. Diante desse
quadro, o Boticário aposta no Lily Essence como uma grande
oportunidade de crescimento da marca.

Apesar de não divulgar os números da produção da Fazenda Terra Viva,
o gerente de Exportação de Flores da empresa, Ralph Bekker diz que
com a parceria, 10% da produção da Terra Viva é destinada à
perfumaria. “Já produzíamos lírios de várias espécies, mas sempre
pensamos somente na decoração. Agora sabemos que há um potencial em
outro segmento. E já pensamos em ampliar a produção”, revela.

Artesanal

Para tornar o desejo de produzir o óleo essencial da flor em
realidade, o Boticário fez uma parceria também com a Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) e, por meio os pesquisadores da
Divisão de Agrotecnologia, desenvolveram o processo mais moderno de
enfleurage, que não utiliza gordura animal — premissa do Boticário.
Nesta nova técnica, as flores são colocadas em caixas e tampadas com
uma placa coberta de gordura. A gordura não toca as pétalas, mas
retém todo o seu perfume. Após algum tempo, a gordura é lavada em
álcool e, em seguida, é feita a purificação do óleo essencial.

“Neste interessante projeto com o Boticário tivemos a oportunidade
de usar a pesquisa da melhor forma possível, ou seja, interagindo
com o setor produtivo para o lançamento de um produto. A pesquisa
partiu de uma idéia ousada, a qual tinha como base o resgate do
processo de obtenção de aroma no processo de enfleurage. A equipe da
divisão de Agrotecnologia aceitou o desafio e conduziu ensaios
intensos que definiram a matéria-prima, os equipamentos e o processo
a ser transferido para a escala industrial”, conta Pedro Melito de
Magalhães, professor da Unicamp.

fonte: http://www.cosmo.com.br/economia/integra.asp?id=169985

Uxi-Amarelo (Edopleura uchi – Humiriaceae)

SOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO ESTRUTURAL DOS CONSTITUINTES
QUÍMICOS DE Endopleura uchi (HUMIRIACEAE)

Josiane de Souza Luna (PG), Taciano Marcolino da Silva (IC) , Edson de Souza
Bento(PQ), Antônio Euzébio Goulart Sant’Ana (PQ)

Departamento de Química – Universidade Federal de Alagoas

Palavras-chaves: Humiriaceae, Endopleura uchi, bergenina,
8,10-dimetoxibergenina

A família Humiriaceae é constituída por 8 gêneros a saber: Duckesia,
Endopleura, Hylocarpa, Humiria, Humiriastrum, Sacoglottis, Shistostemon e
Vantanea. Estes gêneros possuem cerca de 50 espécies1 e têm despertado a
atenção devido as suas atividades biológicas. Da espécie Vantanea peruviana
utilizada na medicina Indígena para o tratamento de reumatismo foram
isoladas duas substâncias: 4′-O-methyl-(-)-epigalocatequina e
epipelargonidina-(4b®8)-4′-O-methyl-(-)-epigalocatequina2. Atividade
hepatotóxica foi verificada em Sacoglottis gabonensis3. Com base em estudos
etnobotânicos tomamos para estudo a espécie Endopleura uchi. A literatura
não registra estudos químicos realizados com nenhuma espécie deste gênero.

O objetivo deste trabalho foi isolar e realizar a elucidação estrutural dos
constituintes químicos de Endopleura uchi através de dados espectroscópicos.
O caule da espécie Endopleura uchi coletado no estado do Pará foi seco,
finamente dividido e extraído com etanol (95%) em aparelho de Soxleht. O
material recolhido teve seu volume reduzido à vácuo em aparelho rotatório
até a obtenção do extrato bruto seco. O resíduo foi suspenso na mistura
metanol:água (60%) e extraído sucessivamente com hexano, clorofórmio,
acetato de etila e metanol. A fração clorofórmica após concentrada foi
submetida a filtração em sílica gel usando gradiente de eluição
clorofórmio/metanol. Sucessivas cromatografias em coluna de sílica
utilizando-se clorofórmio, metanol e misturas destes, monitoradas por
cromatografia em camada delgada de sílica, permitiram o isolamento de quatro
sólidos brancos denominados ENU-1, ENU-2, ENU-3 e ENU-4 após
recristalizações. ENU-1 é o produto principal do extrato total. As quatro
substâncias foram submetidas a análise espectroscópica no infra-vermelho,
ultra-violeta e ressonância magnética nuclear de 1H e 13C uni e
bidimensional. Até o momento a análise permitiu a elucidação estrutural dos
sólidos ENU-1 e ENU-3.
O espectro de RMN1H de ENU-1 em DMSO-d6 apresentou um sinal simples de
metoxila a d 3,770 e um sinal simples de um próton aromático a d 6,998. O
espectro apresentou ainda sinais relativos a prótons hidroxílicos aromáticos
a d 9,752 e a d 8,443 e alifáticos a d 5,641, d 5,426 e d 4,910 comuns para
prótons hidroxílicos quando o espectro é registrado em DMSO-d6. O espectro
de RMN13C de ENU-1 mostrou um sinal de carboxila a d 163,400 e o espectro de
DEPT-135o revelou a existência de um grupo metileno a d 61.110
característico de -CH2OH de açúcares. O espectro na região do infra-vermelho
usando-se KBr como solvente indicou a presença de grupo hidroxila e de um
grupo carboxila na molécula provavelmente relativo a um éster ou lactona. A
análise de todos os dados espectrais de ressonância uni e bidimensionais
(1H, 13C , DEPT 90o e 135o, Cosy, Correlação C-H1,2, Noesy e J-resolvido) e
infra-vermelho do composto ENU-1 e comparação com dados existentes na
literatura4 permitiu-nos identificar ENU-1 como a bergenina. A bergenina
está relatada na literatura por sua atividade antiinflamatória e já foi
descrita nesta família na espécie Humiria balsamifera5.
O espectro de RMN1H de ENU-3 mostrou três sinais simples correspondentes a
três grupos metoxilas d 3,909; d 3,890 e d 3,870 duas das quais estão mais
desprotegidas d 3.909, d 3.890. O espectro mostrou ainda um sinal simples de
próton aromático a d 7.441. O espectro de carbono-13 e DEPT 135o e 90o
mostraram-se similares aos de ENU-1 diferindo apenas na presença de sinais
para mais dois grupos metoxilas. O espectro na região do infra-vermelho
usando-se KBr como solvente indicou a presença de grupo hidroxila e grupo
carboxila na molécula provavelmente de um éster ou uma lactona . A análise
dos dados espectrais permitiu-nos propor para ENU-3 a estrutura da
8,10-dimetoxibergenina ainda não descrita na literatura. A confirmação de
ENU-3 como a 8,10-dimetoxibergenina foi obtida por metilação da bergenina
com sulfato de dimetila e com diazometano.

Referências Bibliográficas
1-Watson, L., and Dallwitz, M. J., (1992 onwards). The Families of Flowering
Plants: Descriptions, Illustrations, Identification and Information
Retrieval.
Version: 19th August 1999.
2-Noreen Y., Serrano G.; Perera P.;Bohlin L. Flavan-3-ols isolated from some
medicinal plants inhibiting COX-1 and COX-2 catalysed prostlagandin
biosynthesis. Plant Med 64: (6) 520-524 (1998).
3-Udosen EO, Ojong AS. Hepatotoxic activity of Sacoglottis gabonensis in
rats.
Pharm Biol 36: (5) 368-371 (1991).
4-Jáhodar, L.; Kolb, I. and Lycka, A. Fitoterapia, 63 (3), 260-261 (1992).
5-Harborne J.B.; Baxter H. Phytochemical Dictionary. A handbook of Bioactive
Compounds from Plants. Taylor e Francis. London. Washington DC. 1993.
Capes, CNPq